O cuidado com a Criação e a preocupação com a sustentabilidade é parte do chamado cristão, diz Marcos Custódio. Confira a entrevista!

18/10/2011 at 22:12 1 comentário

A Igreja Batista da Liberdade, por uma iniciativa do seu ministério de sustentabilidade socioambiental (Ecoliber), recebeu o consultor de gestão, Marcos Franqui Custódio. Com amplo conhecimento e experiência em terceiro setor e sustentabilidade, Marcos foi ainda um dos fundadores da organização ambiental cristã Rocha Brasil. Ele proferiu a palestra “Sustentabilidade, Negócios e Empreendedorismo” para um público de quase 60 pessoas. O assunto chamou a atenção dos participantes e despertou a responsabilidade dos cristãos em relação à causa ambiental.
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ECOLIBER: O que cristianismo tem a ver com sustentabilidade socioambiental?

MC: A Bíblia, como um todo, tem inúmeras expressões do cuidado de Deus com sua criação. Em Gênesis 2:15, o autor do texto diz que o homem foi colocado no jardim para cuidar e cultivar, sendo este um dos primeiros mandamentos de Deus após a criação. E assim, ao correr a Bíblia – Pentateuco, Salmos, Profetas, Evangelhos, nas Cartas de Paulo e, por fim, no Apocalipse – constatamos os inúmeros textos que afirmam o amor do Senhor pelo mundo criado. Portanto, o cuidado com a criação e a preocupação com a sustentabilidade ambiental passam a ser parte do chamado cristão, a nossa própria essência, e não apenas uma tarefa a mais em nossa agenda eclesiástica.

ECOLIBER: Quando e por que as igrejas começaram a falar sobre a questão ambiental?

MC: Não foi a igreja institucionalizada que iniciou este discussão, e sim pessoas cristãs envolvidas diretamente em movimentos ambientalistas. Um dos primeiros textos escritos sobre esta questão foi um livro de Francis Schaeffer, chamado “Poluição e Morte do Homem”. Mesmo assim não despertou tanto interesse na comunidade cristã evangélica. Na década de 80, surgiram outros livros, mas o fato marcante neste período foi o surgimento da organização ambientalista internacional “A Rocha”, criada por um grupo de anglicanso, no sul de Portugal, que se tornou a organização não- governamental cristã ambientalista mais reconhecida do mundo. Após isto, começaram a surgir diversas ações pontuais em várias partes do mundo, sempre movidos por cristãos desejosos de cuidar da Criação de Deus. O fenômeno das igrejas se envolverem com o tema é algo muito recente e extremamente pontual.

ECOLIBER: A maioria das pessoas ainda não despertou para esta necessidade e para a importância urgente de se adotar novas atitudes em relação à preservação ambiental. Por que isso também é comum entre os cristãos, mesmo entre aqueles que são grandes detentores dos conhecimentos bíblicos?

MC: Porque de uma forma geral temos uma teologia torta e um estilo de vida extremamente desconectado dos valores cristãos. Não é possível aqui abranger toda a complexidade deste tema. O chamado cristão vai além de termos nossas vidas certinhas com nosso carro, trabalho e casa, vivendo um estilo consumista defendido com mais ênfase pela “Teologia da Prosperidade”. Os profetas, Jesus, Paulo, chamou-nos a defender a justiça, ajudar os pobres, cuidar dos órfãos, promover a paz, defender os fracos, cuidar da Terra. Com algumas exceções, a grande maioria (incluindo eu) não se envolve com estes valores e centralizam a energia no ativismo religioso. O caminho para reconfigurar a identidade cristã vai ser longo, estreito e penoso, e passa longe do que existe na maioria das igrejas evangélicas do Brasil atualmente.

ECOLIBER: Como fazer para que sobretudo os cristãos possam se tornar exemplos a serem seguidos também nesta área? Como provocar esta mudança de consciência e de comportamento?

MC: A verdadeira mudança nos cristãos acontece de dentro para fora. Se fizermos o contrário, seremos, como disse Jesus, sepulcros caiados. Além disso, quem promove esta mudança é o Espírito Santo. Então, a gente se pergunta: “O que eu posso fazer?” Primeiro: viver os valores do Reino, defender a justiça, ajudar o pobre, cuidar do Planeta. Viver estes valores com a intensidade que Jesus viveu, sabendo que o preço é a morte, e para nós não é a morte física, mas sim a morte para o hedonismo, o imediatismo, o egoísmo, o consumo exacerbado, a futilidade etc. Segundo: precisamos denunciar as injustiças, os abusos, a corrupção, as maldades. Somos profetas e precisamos assumir este papel. Porém, atualmente, trocamos as profecias pela indiferença.

ECOLIBERr: Como a igreja pode trabalhar frente a este novo desafio global? Como deve envolver seus membros na transformação do mundo a fim de torná-lo mais responsável, solidário e sustentável?

MC: A igreja tem que assumir seu papel como agente transformadora do Reino. Jesus, na oração do Pai Nosso, disse: “Venha a nós o Teu Reino, seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu”. O Reino de Deus tem que nascer dentro de nós, por meio dos valores preconizados por Jesus Cristo. No Reino de Deus não há injustiça, pobres, famintos, destruição. Portanto, a igreja cristã deve se engajar em todas as ações possíveis para que estes valores floresçam. Isto começa no bairro onde a igreja está localizada, depois na cidade, depois do país. A liderança da igreja tem um papel fundamental, pois é ela a responsável por trazer estes temas e mostrar os caminhos para a comunidade. Para termos igrejas mais responsáveis, solidárias e sustentáveis, precisamos ter líderes eclesiásticos mais responsáveis, solidários e sustentáveis. As igrejas são espelhos de suas lideranças.

ECOLIBER: Existem exemplos de cristãos e movimentos cristãos que estão trabalhando ativamente nesta temática?

MC: No Brasil, temos um grande exemplo cristão que é a ex-Ministra e Senadora Marina Silva. Ela é uma das maiores personalidades internacionais nas questões ambientais, além de uma cristã comprometida com os valores do Reino. Sua integridade como cristã e como ambientalista serve de inspiração para todos nós. Existe também, como disse anteriormente, a organização “A Rocha Brasil”, que tem feito nos últimos anos um trabalho de sensibilização e mobilização de cristãos evangélicos.

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1 Comentário Add your own

  • 1. Silvana Grandi  |  19/10/2011 às 01:16

    Acredito de fato que a transformação deva começar através de nós cristãos com atitudes de amor ao nosso semelhante e ao planeta. Fico feliz em saber que temos em nossa igreja lideranças com visão e dispostas a serem agentes de transformação.

    Responder

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